quarta-feira, 30 de maio de 2012

                     * Nós Dois Em Um Só *
                                   23° capitulo :



Eu e Lua nos deitamos e eu peguei no sono. Uns minutos depois acordei com Lua deitada em meus braços dormindo calmamente, acariciei seu rosto mascio, sua pele branca, seus cabelos cacheados, sua boca vermelha.
Senti algo molhando minha barriga e quando vejo Lua esta sangrando novamente, me afasto devagar e vou até o banheiro, pego a caixa de primeiros socorros que ela tinha usado pra cuidar de mim e volto para cama e a viro de peito para cima, levanto sua blusa e vejo o furo, ele estava profundo. Senti minha mão pulsar... Ok, isso me parece entranho, mas vamos tentar. Coloquei minhas mãos sobre sua barriga, mas precisamente sobre o ferimento, fechei meus olhos pensei somente nela, em seu sorriso, seu olhar, no seu jeito de mexer as mãos, no jeito de bagunçar os cabelos levemente, nos olhos dourados com beleza e misterio, na sua pele macia e branca junto a minha, na sua boca pequena e vermelha, nos nossos labios juntos, na delicadeza de cada movimentos, na graciosidade na hora de falar, nos momentos de furia, beleza selvagem que continha em si raiva e nervosismo, seus olhos mudando de cor, seu corpo se contraindo de ira, sua incrivel força e poder, agir sem pensar, sentir sem pudores... Sempre linda com seu jeito diferente e unico de ser, abro meus olhos e percebo que estou sorrindo, retiro minhas mãos de Lua e vejo seu ferimento curado quase que por completo. Cara como eu fiz isso ? Eu simplesmente pego e enfaixo sua barriga com cuidado para não acorda-la, coloco-a novamente deitada e me levanto ao ver um papel no chão e um caixa aberta na mesa, pego o papel e o leio :


" E será que nós temos tempo bom? Não, não temos. Porque somos dois adolescentes, dissimulados e egocêntricos, temos mania de certeza, mania de querer sempre ter a razão. Fizemos uma bagunça ao nosso redor no tempo em que estivemos juntos, e no meio dessa bagunça acabamos nos denominando como dois apaixonados desocupados. Eu lembro do seu cabelo levemente bagunçado, como você dizia, para dar um certo charme. E você dizia que eu tinha aquele ar de incerteza, de abstrato, que te fazia querer ficar comigo, só para você poder me desvendar mais um pouquinho. “E mistérios ela gostava de desvendar, então, um mistério ela se tornou” Saudades de quando você sussurrava isso para mim na hora de ir dormir. Saudades; foi isso que sobrou de nós dois afinal. Saudades de um tempo que não volta mais, saudades do que aconteceu, do que não aconteceu e do que eu queria tanto que tivesse acontecido. E porque você foi embora mesmo? É que você esqueceu de avisar no bilhetinho que só tinha: “Me desculpa por qualquer coisa, tenho que ir. Eu te amo, ou te amei.” Talvez você tenha desvendado todos os mistérios que te prendiam aqui? Ou talvez você não veja mais graça em mistérios e queira algo mais fácil. Mais fácil. “Você é muito complicada para ser desvendada, será que um dia eu vou conseguir fazer isso?” Pelo visto, acho que não. Me achou tão complicada que não conseguiu nem chegar na metade do caminho. Não conseguiu nem descobrir o porquê de eu ser assim. E agora eu que me pergunto porquê você foi embora antes mesmo de tentar. Não sei se foi minha culpa. Ou se foi você que já não quis mais. No entanto, eu acho que eu merecia pelo menos uma explicação mais clara e convincente sua, não acha? Pelo menos mais que um bilhete escrito às pressas. Mais do que um simples adeus escrito em letras borradas. Tenho minhas dúvidas se foi por medo da minha reação, se foi seu medo de me encarar e poder dizer tudo, ou se foi porque você não tinha realmente razão para me deixar e simplesmente queria ir embora sem ter que se explicar. Seu perfil medroso de sempre me assustou, tu tinhas medo de tirar qualquer brincadeira comigo, não sei porquê. Medo de perder? Impossível, se fosse por isso me explique a fuga, me explique o bilhete, me explique qualquer coisa que esteja relacionada com você não estar aqui agora. Olha, apesar dos pesares, eu não te odeio. Não consigo, tá bem? Só… Não. Não pra tudo. Não pra mim e minha mania impulsiva de querer sair por aí gritando teu nome, não para as minhas falas no escuro dizendo que eu poderia te fazer mudar de ideia, não para qualquer coisa que me faça voltar a choramingar por você. Mas quer saber uma coisa que eu odeio? Essa vastidão de pensamentos sobre ti todas as noites. Eu te amo, cara. Sempre te amei, mas acho que você não viu isso. Não viu e nem vai ver mais, você cansa. E eu cansei. Cansei de você, cansei de mim, cansei de correr atrás, cansei de tudo, mas principalmente… Cansei daquilo que um dia ousamos chamar de “nós”. "


Sempre soube que Lua se expressava por meio de palavras escritas, claro me senti triste ao ler aquilo que ela havia escrito, pois sabia que era uma indireta pra mim se eu tivesse lido naquela época em que fui embora, mas olha-la deitada na cama dormindo, fiquei feliz de te-la agora só minha como minha namorada, minha pequena Lobinha.
Fiquei apenas ali sentado na beirada da cama observando-a dormir como um anjinho (o que ela obviamente não era). Ela se mexeu vagorasamente e abriu seus olhos, sorriu ao me ver, um sorriso lindo e contagiante, que me encantava. Ela se sentou e me deu um leve beijo, calmo e apaixonado, minhas mão escorregarão para sua cintura e as dela se enlaçaram em meu pescoço aprofundando o beijo. Naquele beijo senti carinho e amor, e era aquilo que eu queria pelo resto da minha vida se fosse Lua que estivesse ao meu lado.

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